Historial da Freguesia de Ponta Delgada
Situada na costa norte da ilha, entre as freguesias de Boaventura e São Vicente, é esta freguesia servida por um porto de mar, no lugar da Igreja, e um outro denominado Passo da Areia, este de difícil acesso. Em 1469 tomou o antigo povoador Manuel Afonso de Sanha terras de sesmaria neste lugar, nelas mandando edificar uma ermida dedicada ao Senhor Bom Jesus, cuja construção é anterior a 1507. Esta devoção, muito antiga, terá surgido nesta ilha desde 1466 com o dito sesmeiro, colono oriundo de Braga e que para a sua sesmaria na Ponta Delgada fez transplantar o seu patrono. Neste templo se estabeleceu a sede da paróquia, criada que foi no ano de 1550.
Em 1637, foi esta capela sujeita a grandes reparações. Ampliada em 1700, passou por uma grande restauração no princípio do século XIX. De entre estes trabalhos destacam-se os que foram realizados na capela-mor, na capela do Santíssimo Sacramento e na sacristia, que fizeram desta igreja a mais sumptuosa da costa setentrional da Madeira. Destruída pelo incêndio de 12 de Julho de 1908, em 1910 deu-se início à edificação do templo actual, no qual sobressai a obra de talha que reveste os seus altares. Esta paróquia compreendia os terrenos que actualmente a constituem e também os que hoje formam a freguesia de Boaventura. Remonta aos tempos da primitiva ermida a festa do Senhor Bom Jesus que hoje se realiza na igreja paroquial desta freguesia, no primeiro domingo de Setembro, e que constitui a mais importante romaria da ilha da Madeira. Romagem que se vem realizando desde 1577, aqui acorrem milhares de pessoas, vindas de todas as partes da ilha.
Nesta freguesia, de solo rico e fértil, se produzem frutas, legumes e vinho de excelente qualidade. Outrora, foi a cana-de-açúcar a sua mais importante riqueza, alimentando a indústria do fabrico de aguardente através de dois engenhos, hoje totalmente em ruínas. Nos séculos XV e XVI, o açúcar foi a maior moeda de troca deste arquipélago. Sabe-se que a par da introdução de culturas alimentares onde os cereais ocupavam lugar preponderante, se iniciou uma cultura especulativa, a cana-de-açúcar.  Todavia, não se sabe em que ano teve início a plantação da cana sacarina. Apenas se tem como certo que foi alguns anos depois de 1425, na medida em que, em umas lembranças enviadas pelo Infante D. Henrique a João Gonçalves Zarco e que devem ter sido escritas poucos anos após o início do povoamento, já aparecem alusões aos canaviais da ilha.
Em 1508, ordenava-se “que se nam rompa em toda essa ylha terra pera se em ella se aver de lavrar e semear pam nem pera outra alguua cousa somente pera se fazerem canaveaes pera açuquares”. Assim foi o trigo substituído pela cana-de-açúcar, fundamental até meados do século XVI. Contudo, quando o açúcar madeirense sucumbiu à concorrência da produção brasileira, à carência de adubagem, à desafeição do solo à cultura e às alterações climáticas, o vinho passou a desempenhar papel relevante a partir dos finais do século XVI. Subsistem nesta povoação casa que recordam a traça dos antigos morgadios que foram em tempos causa da sua designação de Corte do Norte.
Actualizado em Sexta, 26 Junho 2009 10:57
Historial da Freguesia de Boaventura
Dista 9,5 km da sede do concelho e confina com as freguesias do Arco de São Jorge, Ponta Delgada, São Vicente e Curral das Freiras. A freguesia de Boaventura é atravessada pela Levada da Achada Grande, Levada Grande, Levada das Faias, da Achada dos Alves e Pastel, e Levada da Achada ou do Serrão, todas elas com origem na Ribeira dos Moinhos. A pouca distância da sua costa, encontram-se dois ilhéus conhecidos por Porco e Vermelho. Fica-lhe defronte o ilhéu Preto em cuja fenda por onde o mar se espadana, se dá origem à formação de um altíssimo jacto. É esta freguesia servida ainda por um pequeno porto, na foz da ribeira do mesmo nome, que nasce na Serra das Torrinhas e desagua no Oceano Atlântico. Boaventura deverá ser lugar de assentamento algo recente, mas o facto de se encontrar a meio caminho na ligação à vertente Sul pelo Curral das Freiras, terá propiciado a sua valorização.
Pedro Gomes Galdo é considerado um dos mais antigos colonizadores deste lugar, aqui tendo possuído terras de sesmaria e a quem se atribui a fundação da capela de São Cristóvão, no sítio que ainda hoje conserva este nome.
Os terrenos que constituem a paróquia de Boaventura pertenceram, durante quase três séculos, à freguesia de Ponta Delgada, da qual foram desmembrados em 1836.
D. João V, por alvará régio de 4 de Fevereiro de 1733, autorizou a criação deste curato, ignorando-se a sua provisão definitiva, a sua jurisdição ou atribuições conferidas.
Por alvará de 18 de Novembro de 1836, António Alfredo de Santa Catarina Braga, governador do bispado e vigário capitular, eleva o curato a paróquia, desligando-o totalmente da jurisdição da freguesia de Ponta Delgada.
A sede da nova paróquia foi estabelecida na capela de Santa Quitéria, construída no sítio do Serrão, que fora edificada em 1731 e reconstruída em 1835.
Existiram nesta freguesia as ermidas de São Cristóvão e de Sant’Ana, e em 1918 procedeu-se à construção de uma capela no sítio da Fajã do Penedo, dedicada ao Coração Imaculado de Maria.
De acordo com o “Elucidário Madeirense” é totalmente desconhecida a origem deste topónimo, sendo necessário, em primeiro lugar, averiguar a verdadeira grafia desta designação, na medida em que este nome aparece escrito de duas formas: Boaventura e Boa Ventura. Presume-se que a primeira forma é a mais antiga e também a mais comum e usual, desconhecendo-se, contudo, que razão estará na base da preferência de qualquer uma delas. No arquivo paroquial desta freguesia não se encontram referências à origem do nome. Conjecturou-se que esta denominação teria tido origem num qualquer lugar do Continente de que os primitivos colonizadores aproveitassem o nome. Ainda segundo a obra supracitada, esta hipótese não tem fundamento por em Portugal não existir nenhum lugar, sítio ou freguesia, que conserve esse nome. Alberto Artur Sarmento, em ‘Freguesias da Madeira’ é de opinião que, nos primórdios do povoamento, estas terras terão sido chamadas de boa ventura, alcunha que teve o seu povoador. Dado como certo é o facto de existir esta designação desde meados do século XVI, e mesmo antes, isto é, muito antes da criação do curato e de ser paróquia independente.
Esta é uma das freguesias mais pitorescas da ilha. O seu casario disperso resulta no isolamento de algumas povoações, como no caso de Falca de Cima e Falca de Baixo.
Nestas terras tiveram assento algumas casas solarengas, como os morgados do Serrão e da Silveira e, mais recentemente, Curado de Vasconcelos e Licio de Lagos.
No sítio de São Cristóvão existiu uma pequena fábrica de telha, feita de um barro muito denso, que se encontrava nas suas proximidades e que era muito resistente aos danos provocados pela maresia. De grande interesse geológico é o vale da Ribeira do Porco. É esta freguesia servida pela estrada que vem de Ponta Delgada, cavada na rocha. A Boca das Torrinhas limita a Serra da Boaventura, partilhada com o Curral das Freiras, e da Boca das Voltas sai um caminho que conduz à povoação.
Actualizado em Sexta, 26 Junho 2009 11:00
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Sede do concelho do mesmo nome, a freguesia de São Vicente passa, hoje, por ser o grande centro de atracção do Norte da Ilha da Madeira.  A freguesia de São Vicente está situada num vale de encostas bastante altas. Em termos geológicos, apresenta uma particularidade em relação às demais freguesias da ilha, isto é, uma intercalação calcária marinha, que só tem paralelo nas ilhas de Porto Santo e de Santa Maria. A exploração da pedreira calcária remonta a meados do século XVII, época em que Francisco Pestana, vigário de São Vicente, adquiriu a pedreira que depois doou à Confraria do Santíssimo Sacramento. Foi ele que iniciou a sua exploração, construindo nas suas imediações um forno. Mas não se esgota aqui a riqueza geológica desta freguesia, pois também é de referenciar a existência de um grupo importante de grutas, resultantes de canais de lava. As Grutas Naturais de São Vicente foram pela primeira vez divulgadas em 1885 por James Yate Johnson. Segundo ele, estes canais de lava, que detêm um lugar ímpar na História Natural, são os “melhores que existem na Madeira”. Não é possível estabelecer com exactidão, o ano em que se terá iniciado o povoamento e a colonização deste território. Presume-se que as primeiras explorações agrícolas privilegiaram o sul da ilha, em virtude da maior fertilidade dos terrenos e facilidade de desbravamento.
Só posteriormente, quando o número de povoadores cresceu de forma significativa, se terá começado o arroteamento dos vales do interior e das vertentes das montanhas. Assim, e por essa altura, se terão lançado os alicerces desta povoação. É provável que desde meados do século XV a este lugar tenham afluído alguns colonos, tendo sido São Vicente, sem dúvida, o primeiro logradouro, seguido de Ponta Delgada.
A vila de São Vicente constituiu-se em torno de uma paróquia que data de finais do século XV e cuja fundação se desconhece. Para o autor de ‘Saudades’, esta paróquia terá sido fundada em 1440. Em 1590, Gaspar Frutuoso, referia-se-lhe nos seguintes termos: “uma legoa além da Ponta Delgada está a freguesia de São Vicente, de 250 fogos com grandes terras de livranças de pão, e criações, muitas frutas de castanha, noz e de outra sorte, muitas vinhas, e muitas águas, e duas serras de água”. Em grande parte devido ao progressivo aumento da sua população, foi este lugar elevado a vila, por alvará régio de 23 de Agosto de 1744, desmembrando-se da capitania de Machico.
Em 1835, a grande reforma administrativa levada a cabo pelo Governo Constitucional, eleva-a a sede de concelho, e em 1867, extinto que foi o concelho de Porto Moniz, as freguesias que o constituíam, excepção feita às terras de Achadas da Cruz, passam para a jurisdição do concelho de São Vicente, ao qual pertenceram por pouco tempo, uma vez que cedo foi novamente restaurado o concelho de Porto Moniz.
A capela de São Vicente foi sujeita a várias reparações e acrescentamentos no decurso dos tempos, sendo que as maiores obras se realizaram no século XVII. Para alguns, a actual matriz da vila é esta primitiva capela, em cujas imediações, mais precisamente na foz da ribeira de São Vicente, existe uma outra capela, cavada na rocha, da mesma invocação da matriz, construída pelo povo em 1692. 
Existem nesta freguesia outros templos: o de Nossa Senhora do Rosário, no sítio da Vargem e que tem sofrido vários aumentos e reparações; o de Nossa Senhora do Livramento, na Ribeira Seca, edificado em 1685 e o de Nossa Senhora da Piedade, no sítio do Passo, fundado em 1784.
Nesta vila o povoamento é disperso. Contudo, em direcção à Encumeada, existem alguns lugares densamente povoados, como os sítios do Rosário, Vargem e Feiteiras.
As veredas conduzem o visitante a alguns dos mais belos e inacessíveis pontos da ilha da Madeira, como o Caramujo, Estanquinhos e Bica da Cana.
Actualizado em Segunda, 20 Julho 2009 10:42
Junta de Freguesia de São Vicente
Presidente: Eduardo Paulo Mendes de Andrade (PSD) Secretário: José Carlos Oliveira e Freitas (PSD) Tesoureiro: José Raimundo de Gouveia (PSD) Assembleia de Freguesia: Presidente: Maria Helena Andrade Gouveia (PSD) 1ºSecretário: Elisabete Abreu de Sousa Silva (PSD) 2ºSecretário: Fernando Andrade Dionísio (PSD) António Dionísio de Andrade (PSD) José Luís de Ponte Jesus (PS) Manuel Pestana (PS) Helena Paula A. P. Rocha Encarnação (PS) Mário Vieira (PS) João Ângelo Pestana (PSD)
Actualizado em Segunda, 13 Julho 2009 21:24
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